quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Eu degrado, tu depredas, nós destruímos.



    Esse post foi inspirado em um diálogo que ocorreu, em um domingo ensolarado, na paradisíaca Praia da Pipa – RN, que tento reproduzir:

Turista de Recife – “Aqui na Pipa, a praia é tão limpa que dá                             vergonha jogar lixo.”
     Eu – “E no Recife não dá vergonha?
     Ele – “Ah, lá todo mundo joga.”

    Primeiro de tudo, quero deixar claro que não se trata uma crítica ao povo de Recife, cidade que escolhi para morar e na qual sou muito feliz. Minha crítica é direcionada a essa cultura que dita “se o outro faz, posso fazer”, independente de qualquer julgamento.
      Daí vem a pergunta: será que ainda há alguém que não sabe que jogar lixo em lugares públicos é um prática prejudicial?
      Vemos, em todos os meios de comunicação, inúmeras campanhas para se manter áreas naturais limpas, para recolher o lixo, para cuidar... Então, por que as pessoas ainda insistem em poluir deliberadamente?
       No caso do turista ainda é mais grave. O turista é aquele que está de passagem, ou seja, que não é habitante do local que visita. Sendo assim, parece que há um aumento da visão egoíta. Afinal, “por que cuidar de algo que não é meu, né? O outro que cuide, amanhã vou embora mesmo...” E o resultado dessa mentalidade é uma verdadeira animosidade que surge nos moradores de áreas turísticas que veem seu patrimônio desrespeitado por aqueles que o visitam. É por isso que, muitas vezes, habitantes locais detestam turistas que, para eles, são sinônimos de sujeira e destruição.
    Pessoas que se indignam, quando veem outros sujando áreas públicas, sempre fazem a pergunta “será que sujam suas casas?”. E eu repondo: provavelmente não.
    O erro está no fato de se pensar somente no que é particularmente seu,    “minha casa, meu espaço sagrado”, e encarar algo público como se fosse do outro, da prefeitura, do governo...
Dessa forma, surge a ideia absurda de que se sujar a casa, vai ter que limpar por si próprio, enquanto que a rua, a praça, a praia são de responsabilidades alheias, do morador (no caso do turista) e principalmente, do governo. Portanto, pode sujar a vontade e, se não for limpo, a culpa é sempre do outro.
        Onde vamos parar com isso? Certamente na destruição total de ambientes públicos.

  Precisa haver uma conscientização de que um ambiente público, como o próprio nome diz, é da população, meu e dos meus concidadãos.  E também precisa haver a conscientização de que o fato de alguém sujar não pode servir de exemplo ou de estímulo para que outros o imitem. Se vejo outra pessoa sujando é sinal de que ela está agindo de forma errada e que eu devo agir de maneira contrária. 
Fazer algo errado porque todos fazem não é perpetuar uma cultura, é insistir em um erro.


Curta-nos no Facebook. Siga-nos no Twitter: @mochiloterapia.

Nenhum comentário:

Postar um comentário