Esse post foi inspirado em um diálogo que ocorreu, em
um domingo ensolarado, na paradisíaca Praia da Pipa – RN, que tento reproduzir:
Turista de Recife – “Aqui na Pipa, a praia é tão limpa que
dá vergonha jogar lixo.”
Eu – “E no
Recife não dá vergonha?”
Ele – “Ah,
lá todo mundo joga.”
Primeiro
de tudo, quero deixar claro que não se trata uma crítica ao povo de Recife, cidade que
escolhi para morar e na qual sou muito feliz. Minha crítica é direcionada a
essa cultura que dita “se o outro faz, posso fazer”, independente de qualquer
julgamento.
Daí vem a
pergunta: será que ainda há alguém que não sabe que jogar lixo em lugares públicos
é um prática prejudicial?
Vemos, em
todos os meios de comunicação, inúmeras campanhas para se manter áreas naturais
limpas, para recolher o lixo, para cuidar... Então, por que as pessoas ainda
insistem em poluir deliberadamente?
No caso do
turista ainda é mais grave. O turista é aquele que está de passagem, ou seja,
que não é habitante do local que visita. Sendo assim, parece que há um aumento
da visão egoíta. Afinal, “por que cuidar de algo que não é meu, né? O outro que
cuide, amanhã vou embora mesmo...” E o resultado dessa mentalidade é uma verdadeira animosidade que surge nos moradores de áreas turísticas que veem seu patrimônio desrespeitado por aqueles que o visitam. É por isso que, muitas vezes, habitantes locais detestam turistas que, para eles, são sinônimos de sujeira e destruição.
Pessoas
que se indignam, quando veem outros sujando áreas públicas, sempre fazem a
pergunta “será que sujam suas casas?”. E eu repondo: provavelmente não.
O erro
está no fato de se pensar somente no que é particularmente seu, “minha casa, meu espaço
sagrado”, e encarar algo público como se fosse do outro, da prefeitura, do
governo...
Dessa forma, surge a ideia absurda de que se sujar a casa,
vai ter que limpar por si próprio, enquanto que a rua, a praça, a praia são de
responsabilidades alheias, do morador (no caso do turista) e principalmente, do
governo. Portanto, pode sujar a vontade e, se não for limpo, a culpa é sempre do
outro.
Onde vamos
parar com isso? Certamente na destruição total de ambientes públicos.
Precisa haver uma conscientização de que um ambiente público,
como o próprio nome diz, é da população, meu e dos meus concidadãos. E também precisa haver a conscientização de
que o fato de alguém sujar não pode servir de exemplo ou de estímulo para que
outros o imitem. Se vejo outra pessoa sujando é sinal de que ela está agindo de
forma errada e que eu devo agir de maneira contrária.
Fazer algo errado porque
todos fazem não é perpetuar uma cultura, é insistir em um erro.
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