segunda-feira, 25 de julho de 2016

Templo Zu Lai: paz e beleza, pertinho do caos urbano

   

  Quem quer visitar um lugar tranquilo, pacífico e, principalmente lindo, bem pertinho de São Paulo, não pode deixar essa dica passar. Trata-se do Templo Zu Lai, um monastério budista localizado na cidade de Cotia - SP, aproximadamente 35 quilômetros do centro da capital paulista.    O Templo é o primeiro do Monastério Fo Guang Shan na América Latina e mantém as tradições dessa filosofia, bem como possui também um belo parque para relaxar, museu, exposições temporárias, além de refeitório e lanchonete que servem alimentos deliciosos e 100% vegetarianos, com um precinho camarada.


    A forma mais cômoda para se visitar o local, para quem não possui carro o próprio, é por meio do ônibus que o templo disponibiliza ao visitantes, aos domingos. Por uma tarifa de R$15,00 (ida e volta), o visitante pode passar o dia no local, e tem assunto para um dia todo, podem acreditar em mim. O ônibus sai, pontualmente às 8:30h, da estação Liberdade do Metrô de São Paulo e retorna do templo às 17:00h.     Além da visita, aos domingos, acontecem cerimônias abertas ao público que fazem com que qualquer um se sinta em sintonia com a paz e a tranquilidade do local. Saí dali grata e revigorada.


    Existem algumas regras para a visitação. Entre elas, está a proibição de levar alimentos e bebidas, além do uso obrigatório de vestimentas comportadas e do respeito que todo lugar religioso merece. No entanto, existe uma ampla área externa para passeio, além de play ground para entreter as crianças e um ótimo café para relaxar, ou seja, é uma visita que une turismo sustentável a espiritualidade.      A paisagem e a arquitetura do lugar são espetáculos a parte. Nem precisa dizer que recomendo muito a visita. Para mim, foi a realização de um sonho!


    Quem quiser saber tudo sobre o templo pode acessar seu site oficial. Lá explica, com detalhes, a respeito da filosofia e dá as normas e as informações úteis para a visitação.
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terça-feira, 14 de junho de 2016

Precisamos falar sobre assédio e preconceito



Ontem, fui entrevistada por alunas do curso de Bacharelado em Turismo da UFPE para elaboração de um artigo acadêmico cujo tema é “assédio e preconceito vividos por mulheres que viajam sozinhas”. Ambas na casa dos 18 anos, não conseguiam esconder o susto e a indignação com as histórias ouvidas.

Eu, particularmente, nunca sofri nada que pudesse ser classificado como violência física. No entanto, são constantes os comentários maldosos, as cantadas, as insinuações do tipo “por que uma mulher viajaria só?” e outros constrangimentos, com os quais convivo nas minhas viagens, dentro e fora do Brasil.

A verdade é que previno ao máximo qualquer tipo de assédio ou inconveniência. Quando estou só, nunca digo a ninguém sobre isso. Sempre “tenho amigos esperando”, “estou hospedada com a família em outra cidade e vim só passar o fim de semana”, “cheguei uns dias antes que meus familiares”, etc. Resumindo: sempre recorro a “mentiras do bem” para tentar esconder ao máximo que estou, na verdade, viajando só.


Sinceramente, acho revoltante e humilhante ter que mentir para me proteger, gostaria de poder exercer minha liberdade abertamente e contar com o respeito de todos. Posso estar exagerando, já me disseram isso, mas, quem se arriscaria???

O caso ocorrido no Equador esse ano, no qual duas viajantes argentinas foram violentadas e mortas, foi extremo e emblemático. Levantou sérias questões a respeito da liberdade feminina e da cultura de culpar as vítimas, uma vez que, foram veiculadas várias insinuações de que isso ocorreu por “estarem viajando sozinhas”, leia-se “sem companhia masculina”.  Isso gerou revolta entre as viajantes e motivou uma campanha, na internet, que teve alcance mundial.


Além do assédio, o preconceito parece ser uma sombra de quem simplesmente gosta de conhecer o mundo de maneira independente. Já me negaram uma cerveja num bar, em uma capital brasileira, pois “não serviam mulheres desacompanhadas” e, uma vez, perguntaram “na lata” se eu bancava minhas viagens com favores sexuais, pois “não haveria outra explicação para uma mulher estar hospedada sozinha num hotel”.

Sempre digo que, apesar da minha idade, não sou tão velha para que tudo isso tenha acontecido no século XVIII e, se ficar enumerando e descrevendo tudo o que já passei e escutei, nessas duas décadas de estrada, esse texto não termina.

O que ocorre é que ainda há muito a se conquistar em termos de liberdade, respeito e apoio quando uma mulher decide ser independente. É uma questão que ainda precisa de muita discussão e de muita conscientização. Fico imensamente satisfeita por isso estar sendo abordado em ambientes acadêmicos, acho que pode ser um começo eficaz rumo à educação para o respeito.


Queridas colegas, espero ter podido ajudar com o seu artigo e, antes de tudo, espero que juntas possamos melhorar esse quadro para que, cada vez mais, todos possam exercer seus direitos de ir e vir, sem medo de mostrar ao mundo quem são ou o que fazem.

Um grande abraço para vocês e muito sucesso na carreira acadêmica e profissional!


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terça-feira, 7 de junho de 2016

Engenho Sanhaçu: sabor e sustentabilidade



Para quem mora em Recife e região, ou, por qualquer motivo, está por aqui e vai subir a Serra das Russas pela BR 232, sentido Agreste, fica uma dica para uma paradinha muito legal: Engenho Sanhaçu.

Mais que uma destilaria ou cachaçaria, esse é um empreendimento que prima pela sustentabilidade e pela qualidade dos produtos que fabrica e do produto turístico que oferta.


Para chegar lá, basta fazer um desvio da BR 232 e seguir pela PE 071 até o município de Chã Grande. Lá, logo na entrada da cidade, a sinalização até o Engenho é clara e abundante, só seguir as placas. Tem que pegar um pouquinho de estrada de chão, mas em boas condições. Cheguei sem problemas de carro de passeio, ou carro baixo como dizem por aqui.

Além de produzirem cachaças artesanais de ótima qualidade, premiadas nacional e internacionalmente, oferecem uma interessante visitação que mostra tanto a produção da bebida, quanto o cuidado com o meio ambiente e a sustentabilidade.



De início, o visitante percebe que toda a produção e a vida no engenho são movidas a energia solar, gerada por placas instaladas no telhado da destilaria, e que a fabricação do produto é pautada pelo máximo aproveitamento dos recursos e o mínimo de impacto ao ambiente. O bagaço da cana, por exemplo, é usado para compostagem de fertilizante e também nutre a caldeira responsável pelo processo de destilação da bebida.



Além disso, toda a propriedade é fruto de um trabalho magnífico de reflorestamento e de recuperação de áreas nativas e mananciais hídricos, formando um verdadeiro oásis em meio a áreas, infelizmente, degradadas.



O visitante, além de conhecer a fabricação da cachaça e da rapadura, tem a oportunidade de percorrer uma trilha que mostra a natureza recuperada do local. A trilha é fácil, apesar de ter decida e subida, e pode ser feita em família com crianças. Tudo isso com a companhia de guias.



A degustação da cachaça, claro, é só para maiores de 18 anos, porém pode-se também degustar a rapadura e o caldo de cana.

E, para terminar, só mais uma dica! Providencie um motorista compreensivo ou abstêmio! Afinal, dirigir alcoolizado é infração gravíssima, podendo acarretar multa de R$ 1.915,40, 7 pontos na carteira, além da suspensão da CNH por 12 meses, e obrigatoriedade do motorista de realizar um curso de reciclagem em uma autoescola.

Para saber mais sobre a Sanhaçu, acesse seu site oficial.


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sábado, 7 de maio de 2016

Bezerros: frio e serra no agreste!



 
Foto: Isadora Cavalcanti.


Antes de falar do destino desse post, peço ao leitor que imagine a situação: uma mineira, que morou em Brasília e em Cuiabá, que ama o mar e que, de repente, se muda para um apartamento a 200 metros da praia, em Recife! 

Imaginaram o deslumbre???

Pois é, foi e está sendo um sonho que já dura 5 anos.

No entanto, essa fixação pelo litoral me fez deixar de lado os encantos do agreste e do sertão (e são muitos!), algo que, a partir de agora, pretendo corrigir.

Até então, tirando o litoral que percorri quase todo, só conhecia Caruaru e Campina Grande, devido às suas festas de São João, quando uma grata surpresa me aconteceu: Bezerros – Pernambuco.


Relax durante a trilha. Foto: Isadora Cavalcanti
                                           
Distante cerca de 110 km de Recife, seguindo pela BR 232, em trecho 100% duplicado, Bezerros é um município situado na mesorregião do Agreste Pernambucano, com população de aproximadamente 60.000 habitantes, segundo dados do IBGE.

Está inserido na unidade geoambiental do Planalto da Borborema. Tem seu ponto culminante no povoado de Serra Negra, onde a altitude chega a 957m. Lugar do encontro entre Caatinga e Mata Atlântica, formando uma paisagem única, é nesse povoado e em seus arredores que estão os maiores atrativos da cidade.

Pau de Arara, transporte até as Trilhas do Parque Ecológico e outros ponto da Serra Negra

A Serra Negra abriga unidades de conservação ambiental nas quais o viajante pode percorrer trilhas, de dificuldades variadas, e contemplar paisagens de rara beleza, vegetação única, com destaque para as muitas espécies de orquídeas e bromélias.  Uma opção também são as práticas de esportes de aventura, como rapel e arvorismo.




O acesso à Serra Negra é feito por estrada rural, porém pavimentada, que parte do centro de Bezerros e sobe... sobe... sobe. Para percorrer as trilhas, no entanto,  é necessário o apoio de um guia. Mas, não se preocupem, a cidade conta com receptivos que podem ajudar o viajante e oferecer produtos que vão desde trilhas curtas até as que duram todo um dia, com opções também de vislumbrar o belíssimo por do sol e trilhas noturnas em mata fechada. Resumindo, um destino que recomendo a todos os que são fãs do ecoturismo e do contato com a natureza.


Um dos muitos mirantes da Serra Negra. Foto: Isadora Cavalcanti


Além disso, o clima é uma verdadeira surpresa, pois, em pleno semiárido, a temperatura pode chegar a 12 graus com sensação térmica ainda mais baixa, ou seja, uma boa opção para quem quer “curtir” um friozinho sem sair de Pernambuco.

Por do Sol na Serra Negra. Foto: Isadora Cavalcanti.

Além da Serra Negra, a cidade também se destaca por seu carnaval que, até hoje, tenta se manter tradicional, figurando como o terceiro de Pernambuco em número de foliões e atrações, ficando atrás somente de Recife e Olinda. Do carnaval, surge a tradição dos ateliês de máscaras que podem ser compradas o ano todo.

Foto: Irandir Laurentino

Como se não bastasse, Bezerros também é cenário para manifestações artísticas importantes, como a Literatura de Cordel e a Xilogravura. Assim, o visitante também tem a oportunidade de conhecer ateliês como os de Sílvio Borges e, principalmente, do grande mestre J. Borges, artista cujas obras estão expostas na Unesco e em outras galerias mundo afora, considerado um dos Patrimônios Vivos de Pernambuco.

Eu e J. Borges. Foto: Livia Emanuelly.


Quanto à infraestrutura, Bezerros possui meios de hospedagem que vão desde charmosas pousadas rurais a hotéis simples e baratos na cidade. Uma opção pode ser o camping na Serra Negra, mas prepare-se para uma “infra” bem rústica e para noites bem frias! No quesito alimentação, a cidade conta com restaurantes de culinária regional e com pizzarias, lanchonetes e afins. Ou seja, o visitante não passa perrengue!

Enfim, para mim, foi uma surpresa muitíssimo grata, pretendo voltar em breve!

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domingo, 27 de março de 2016

Saudade Gastronômica

     

     Tenho saudade de todos  e de cada lugar que já vivi e já visitei! Mas acho que saudade não é só uma palavra ou algo que possa ser definido num só sentimento. Sim, existem tipos muitos de saudades: de pessoas, de sensações, de cheiros e de sabores. E é desse último tipo que padeço  às vezes, e que me inspira a escrever essa crônica cheia de nostalgia.
     Acho, realmente, que existe uma saudade gastronômica de tudo aquilo que já submeti ao meu paladar,  que gostei e que se tornou uma espécie de símbolo de um lugar, umas das mais queridas lembranças da qual também sou feita.
     Minha infância em Minas foi marcada pelos pasteis de milho do meu pai, pelas leitoas assadas no Natal e pelo pão cheio, receita original da minha cidade, que cheirava todo sábado no café da tarde.


     Cresci e fui trabalhar em Brasília! De lá, cultivo uma saudade enorme dos amigos! Essa saudade me é tão presente,  que quase me traz a boca o gosto do quibe do Beirute, que tapeava a cerveja e embalava conversas que nunca terminavam. Nos bares de Brasília, resolvemos todos os problemas do mundo!

     E por falar em mundo, fecho os olhos e sinto a textura dos pierogis da Polônia, do ciabatta do café da manhã na Toscana e, principalmente, o sabor maravilhoso de todas as comidas feitas pela Marisa em Lisboa. O mundo é tão feito de sabores quanto é de paisagens!

     Da época em que morei no Mato Grosso, vem a nostalgia dos maravilhosos peixes do pantanal, do bolo de arroz e de tudo que era cozinhado pela prima Saleti, sobretudo o bacalhau e a lasanha.


     Quando faz frio no Nordeste (sim, isso acontece!), tento me transportar para as noites quentes do verão soteropolitano, nas quais o burburinho do Rio Vermelho se mescla com o cheiro do dendê e todos os sabores e texturas do acarajé, acabado de sair do tacho.

     Por fim, quando saio do Recife, cidade onde vivo hoje, me dá aquela saudade do caldinho quente tomado na praia, do camarão e do charque comido entre conversas e outras...
     Dá para perceber que é saudade que não acaba mais e essa pode ser uma maneira de lembrar com carinho de todos os lugares em que eu estive.

     E, para matar essa saudade, só voltando!

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