Tenho saudade de todos e de cada lugar que já vivi e já visitei! Mas
acho que saudade não é só uma palavra ou algo que possa ser definido num só
sentimento. Sim, existem tipos muitos de saudades: de pessoas, de sensações, de
cheiros e de sabores. E é desse último tipo que padeço às vezes, e que me inspira a escrever essa
crônica cheia de nostalgia.
Acho, realmente, que existe uma saudade gastronômica de tudo
aquilo que já submeti ao meu paladar, que gostei e que se tornou uma espécie de
símbolo de um lugar, umas das mais queridas lembranças da qual também sou
feita.
Minha infância em Minas foi marcada pelos pasteis de milho
do meu pai, pelas leitoas assadas no Natal e pelo pão cheio, receita original
da minha cidade, que cheirava todo sábado no café da tarde.
Cresci e fui trabalhar em Brasília! De lá, cultivo uma
saudade enorme dos amigos! Essa saudade me é tão presente, que quase me traz a boca o gosto do quibe do
Beirute, que tapeava a cerveja e embalava conversas que nunca terminavam. Nos
bares de Brasília, resolvemos todos os problemas do mundo!
E por falar em mundo, fecho os olhos e sinto a textura dos
pierogis da Polônia, do ciabatta do café da manhã na Toscana e, principalmente,
o sabor maravilhoso de todas as comidas feitas pela Marisa em Lisboa. O mundo é
tão feito de sabores quanto é de paisagens!
Da época em que morei no Mato Grosso, vem a nostalgia dos
maravilhosos peixes do pantanal, do bolo de arroz e de tudo que era cozinhado
pela prima Saleti, sobretudo o bacalhau e a lasanha.
Quando faz frio no Nordeste (sim, isso acontece!), tento me
transportar para as noites quentes do verão soteropolitano, nas quais o
burburinho do Rio Vermelho se mescla com o cheiro do dendê e todos os sabores e
texturas do acarajé, acabado de sair do tacho.
Por fim, quando saio do Recife, cidade onde vivo hoje, me dá aquela saudade
do caldinho quente tomado na praia, do camarão e do charque comido entre
conversas e outras...
Dá para perceber que é saudade que não acaba mais e essa
pode ser uma maneira de lembrar com carinho de todos os lugares em que eu
estive.
E, para matar essa saudade, só voltando!
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