terça-feira, 14 de junho de 2016

Precisamos falar sobre assédio e preconceito



Ontem, fui entrevistada por alunas do curso de Bacharelado em Turismo da UFPE para elaboração de um artigo acadêmico cujo tema é “assédio e preconceito vividos por mulheres que viajam sozinhas”. Ambas na casa dos 18 anos, não conseguiam esconder o susto e a indignação com as histórias ouvidas.

Eu, particularmente, nunca sofri nada que pudesse ser classificado como violência física. No entanto, são constantes os comentários maldosos, as cantadas, as insinuações do tipo “por que uma mulher viajaria só?” e outros constrangimentos, com os quais convivo nas minhas viagens, dentro e fora do Brasil.

A verdade é que previno ao máximo qualquer tipo de assédio ou inconveniência. Quando estou só, nunca digo a ninguém sobre isso. Sempre “tenho amigos esperando”, “estou hospedada com a família em outra cidade e vim só passar o fim de semana”, “cheguei uns dias antes que meus familiares”, etc. Resumindo: sempre recorro a “mentiras do bem” para tentar esconder ao máximo que estou, na verdade, viajando só.


Sinceramente, acho revoltante e humilhante ter que mentir para me proteger, gostaria de poder exercer minha liberdade abertamente e contar com o respeito de todos. Posso estar exagerando, já me disseram isso, mas, quem se arriscaria???

O caso ocorrido no Equador esse ano, no qual duas viajantes argentinas foram violentadas e mortas, foi extremo e emblemático. Levantou sérias questões a respeito da liberdade feminina e da cultura de culpar as vítimas, uma vez que, foram veiculadas várias insinuações de que isso ocorreu por “estarem viajando sozinhas”, leia-se “sem companhia masculina”.  Isso gerou revolta entre as viajantes e motivou uma campanha, na internet, que teve alcance mundial.


Além do assédio, o preconceito parece ser uma sombra de quem simplesmente gosta de conhecer o mundo de maneira independente. Já me negaram uma cerveja num bar, em uma capital brasileira, pois “não serviam mulheres desacompanhadas” e, uma vez, perguntaram “na lata” se eu bancava minhas viagens com favores sexuais, pois “não haveria outra explicação para uma mulher estar hospedada sozinha num hotel”.

Sempre digo que, apesar da minha idade, não sou tão velha para que tudo isso tenha acontecido no século XVIII e, se ficar enumerando e descrevendo tudo o que já passei e escutei, nessas duas décadas de estrada, esse texto não termina.

O que ocorre é que ainda há muito a se conquistar em termos de liberdade, respeito e apoio quando uma mulher decide ser independente. É uma questão que ainda precisa de muita discussão e de muita conscientização. Fico imensamente satisfeita por isso estar sendo abordado em ambientes acadêmicos, acho que pode ser um começo eficaz rumo à educação para o respeito.


Queridas colegas, espero ter podido ajudar com o seu artigo e, antes de tudo, espero que juntas possamos melhorar esse quadro para que, cada vez mais, todos possam exercer seus direitos de ir e vir, sem medo de mostrar ao mundo quem são ou o que fazem.

Um grande abraço para vocês e muito sucesso na carreira acadêmica e profissional!


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terça-feira, 7 de junho de 2016

Engenho Sanhaçu: sabor e sustentabilidade



Para quem mora em Recife e região, ou, por qualquer motivo, está por aqui e vai subir a Serra das Russas pela BR 232, sentido Agreste, fica uma dica para uma paradinha muito legal: Engenho Sanhaçu.

Mais que uma destilaria ou cachaçaria, esse é um empreendimento que prima pela sustentabilidade e pela qualidade dos produtos que fabrica e do produto turístico que oferta.


Para chegar lá, basta fazer um desvio da BR 232 e seguir pela PE 071 até o município de Chã Grande. Lá, logo na entrada da cidade, a sinalização até o Engenho é clara e abundante, só seguir as placas. Tem que pegar um pouquinho de estrada de chão, mas em boas condições. Cheguei sem problemas de carro de passeio, ou carro baixo como dizem por aqui.

Além de produzirem cachaças artesanais de ótima qualidade, premiadas nacional e internacionalmente, oferecem uma interessante visitação que mostra tanto a produção da bebida, quanto o cuidado com o meio ambiente e a sustentabilidade.



De início, o visitante percebe que toda a produção e a vida no engenho são movidas a energia solar, gerada por placas instaladas no telhado da destilaria, e que a fabricação do produto é pautada pelo máximo aproveitamento dos recursos e o mínimo de impacto ao ambiente. O bagaço da cana, por exemplo, é usado para compostagem de fertilizante e também nutre a caldeira responsável pelo processo de destilação da bebida.



Além disso, toda a propriedade é fruto de um trabalho magnífico de reflorestamento e de recuperação de áreas nativas e mananciais hídricos, formando um verdadeiro oásis em meio a áreas, infelizmente, degradadas.



O visitante, além de conhecer a fabricação da cachaça e da rapadura, tem a oportunidade de percorrer uma trilha que mostra a natureza recuperada do local. A trilha é fácil, apesar de ter decida e subida, e pode ser feita em família com crianças. Tudo isso com a companhia de guias.



A degustação da cachaça, claro, é só para maiores de 18 anos, porém pode-se também degustar a rapadura e o caldo de cana.

E, para terminar, só mais uma dica! Providencie um motorista compreensivo ou abstêmio! Afinal, dirigir alcoolizado é infração gravíssima, podendo acarretar multa de R$ 1.915,40, 7 pontos na carteira, além da suspensão da CNH por 12 meses, e obrigatoriedade do motorista de realizar um curso de reciclagem em uma autoescola.

Para saber mais sobre a Sanhaçu, acesse seu site oficial.


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