segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Crônica: a difícil hora do adeus, à mochila


Quando um mochileiro fica muito tempo sem viajar, vai dando a aquela vontade de estrada, aquela coceira nas costas que sentem falta de uma mochila, como se fosse um membro amputado do corpo.
Daí, o jeito é não olhar muito para a nossa companheira, guardá-la no fundo do armário para não ficar deprimido ou cometer a loucura de jogar tudo para o alto e pegar a estrada.
A mochila parece que fala, que fica nossa amiga mais fiel, pois vai onde a gente quer, não reclama e ainda leva todas as nossa coisas, essenciais ou não.
A mochila roxa da foto foi comprada em 1999 para o meu primeiro mochilão à Europa.
Depois disso, esteve comigo na Patagônia, foi a mais Argentina 3 vezes, ao Chile, mais 5 vezes à Europa e cruzou um sem número de vezes esse Brasil de norte a sul, leste a oeste.
No entanto, 14 anos depois, ela literalmente pediu arrego, entrou com o processo de aposentadoria. De fato, já estava velhinha, cheia de furos, com as costuras frouxas... E eis que, em 2013, volto da Itália com uma bagagem estranha, quase ilícita, uma mochila novinha em folha.
Mais leve, moderna, mais anatômica, muuuito mais fácil de carregar e de acomodar as coisas. Porém, meu coração ainda está vazio. A “novinha”, até agora,não me conquistou, talvez porque ainda não embarquei com ela para uma grande aventura.
Bem, acho que estou precisando mesmo é de viajar por meses, ser nômade, sem destino. Acho que aí estarei aberta para novas amizades e poderei contar a história da minha vida à mais nova amiga mochila.
Mas, a minha velha, essa não sairá nunca do meu pensamento. É amor eterno! Mochila velha é que faz viagem boa?

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